sábado, 19 de março de 2016

O CONHECIMENTO E A FÉ


O conhecimento não é algo que está com alguém ou com um grupo de pessoas. O conhecimento não é uma coisa, e sim o que acreditamos que seja. Quando achamos que sabemos, temos então um jogo de força, lutas, uma relação de dominação e de resistência, de saber e contra saber. 
O desequilíbrio e desconforto psíquico são provocados por aquilo que não se sabe, então, muitas vezes, imaginamos um saber para nos buscar conforto psíquico. Muitas vezes, a vontade de termos o conhecimento nos leva a uma ilusão. Porque aprendemos culturalmente que o melhor é ter do que ser. A cultura é uma ilusão, o saber é uma ilusão, assim, poderíamos afirmar que um sujeito melhor é aquele que consegue tolerar as incertezas, as frustrações.
E tolerando as frustrações e as incertezas, podemos melhor entender o que disse Freud: “Nunca tenha certeza de nada, porque a sabedoria começa com a duvida”. 
Porém, para tolerarmos os mistérios, as incertezas e o desconhecido, precisamos da de certo Ato de Fé assim como nos adverte Wilfred Bion em Atenção e Interpretação (1970). A fé é naquilo que não sabemos, é o que sustenta a relação do homem com o incognoscível, algo que não pertence ao conhecimento.
A fé faz com que o ser humano tolere sua ignorância, é aquilo que está além da carne, além do conhecimento. No livro do Desapego (2015), de Renato Dias Martino, nos traz a seguinte reflexão: “No mistério da fé não há conhecimento, já que depende da capacidade em tolerar o não saber”. Já Santo Agostinho vem com o seguinte pensar: “Se não podes entender, crê para que entendas. A fé precede, o intelecto segue”. Talvez o silêncio da fé seja a melhor forma de permitir que o conhecimento (falso) não nos adoeça.





Carlos César Pedretti Paulino
Psicoterapeuta
Fone: 17-988228451
carloscpaulino@hotmail.com

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