quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O AMOR,REPRESENTAÇÕES AFETIVAS & SUAS NUANCES

Podemos presumir que através dos encontros, somos confrontadosconstantemente pelas variáveis dos afetos, que vão muito além da nossa ínfima compreensão, o amor então se consagrapela potencialidade positiva dos encontros e sua correlata simbolização com o real no outro.
Neste contexto, se torna também compreensível que aquilo queinteratua e define a realidade amorosa parte de um construto elaborado inicialmente para o próprio eu,paraque posteriormente a afeição se encontre digna de um representante exterior.
Na concepção de Baruch Espinoza (1632-1677), perante as afecções externas somos embatidos por encontros felizes que nos concerne aumento de satisfação em vida, e assim fidelizamos a alegria destes encontros, então aquilo que nos enobrece é exercido a partir de então pelo amor.

“O corpo humano pode ser afetado de várias maneiras, pela qual sua potência de agir é aumentada ou diminuída, enquanto outras tantas não tornam sua potência de agir nem maior nem menor” (SPINOZA, 2016 pg. 99).

Neste caminho o amor se torna idealmentearquitetado, se entendido também pelo comparecimento freudiano de ego ideal, ou ideal de ego, que por organização psicológica e afetiva, se mostra combinado à consecução saudável na maturidade do sujeito.

O desenvolvimento do ego consiste num afastamento do narcisismo primário e dá margem a uma vigorosa tentativa de recuperação desse estado. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposto de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal. (FREUD, 2006 Vol. XIV).

Assim o contexto de amor é ideal no propósito da experiência e compreensão, por uma espécie ética regidajunto ao outro, que nos posiciona em concordância na própria união, diluindo desta maneira nossas primárias e limitadas percepções narcísicas acerca das dinâmicas sugeridas pelos encontros.
Como qualquer ideal, é imprescindível para sua caracterização que esteja conciliado em alguma representação de realidade, um ideal sem representantes reais se configura numa configuração de construção impensável e inconcebível.  
Na vivência cotidiana é pertinente esta observação,ondea virtualização excessiva, e por vezes sem representantes reais ou conscientes de suas necessidades afetivas, podem caracterizarumarelação avessa ao amor,desde o interesse momentâneo pela configuração dos encontros àsexpectativas individuaise suas satisfações meramente sexuais. Nessas ocasiões é comum nos precipitarmos em qualificar e fidelizar essas emoções, e até o que poderia ser em si uma realidade amorosa.
Uma representação afetiva, por mais que traga grandes traços, eventos ou cuidados positivos, não se equipara (talvez momentaneamente) numa realidade amorosa, que está provinda de toda a base necessária para o seu funcionamento saudável e livre das paixões que independem da verdade em sua constituição.
Desta maneira, o amor é um caminho necessário à existência e de preservação da vida, uma experiência que não se atinge finitude, mais que se exerce e se dedica pela prática e movimentação constante, é um trabalho ético pelo entendimento dos afetos e suas nuances.

Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em consequência da frustração, formos incapazes de amar. (FREUD, 2006 Vol. XIV).





SPINOZA, B.Ética. Trad. Tomaz Tadeu. 2ª ed., 5ª reimp. Belo Horizonte. Editora Autêntica, 2016.
FREUD, S.1914-1916A História do Movimento Psicanalítico, Artigos sobre Metapsicologia e outros trabalhos, Vol. XIV.  Obras Psicológicas Completas, Edição Standard Brasileira – Rio de Janeiro. Editora Imago, 2006.



Pedro Volpato
Psicoterapeuta
Contato: pedrovolpato.blog@gmail.com

17 98154-4941

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