terça-feira, 10 de abril de 2018

A PRÁTICA DA PSICANÁLISE



Freud nos escreveu em 1926 que "todo aquele que quiser praticar a análise em outras pessoas se submeta ele próprio a uma análise", desta forma nos diz sobre a existência de algo além do estudo teórico, além dos escritos, algo em que a experiência é capaz de produzir.
Esta observação sobre a experiência também é enfatizada em sua conversa com a "Pessoa Imparcial" em 1926, sendo mencionado:

Como então poderia esperar convencê-lo, [...], quando só posso pôr diante do senhor um relato abreviado e, portanto ininteligível das mesmas, sem confirmá-las pelas próprias experiências do senhor?
                                                                                             
A esta experiência que Freud se refere, equivale a análise pessoal, sendo que, somada ao estudo teórico e a supervisão, temos os três pilares da psicanálise, e através da vivência da experiência dos mesmos, um psicanalista partilhará da esperança de que aconteça a atividade psicanalítica.

[...] qualquer um que tenha sido analisado, que tenha dominado o que pode ser ensinado em nossos dias sobre a psicologia do inconsciente, que esteja familiarizado com a ciência da vida sexual, que tenha aprendido a delicada técnica da psicanálise, a arte da interpretação, de combater resistências e de lidar com a transferência - qualquer um que tenha realizado tudo isso não é mais um leigo no campo da psicanálise. Ele é capaz de empreender o tratamento de perturbações neuróticas e ainda poderá com o tempo alcançar nesse campo o que quer que se possa exigir dessa forma de terapia [...] O trabalho é árduo, grande a responsabilidade [...] - Freud (1926). 

Durante a vivência do candidato (como é chamado por Freud em 1926) a praticar a psicanálise, o mesmo necessitará adquirir pela prática e através de troca de conhecimento com psicanalistas mais experientes o preparo da atividade psicanalítica, sendo que, os mesmos requisitos também são mencionados por Freud (1918), em “Sobre o ensino da Psicanálise nas Universidades”, no qual, nos diz que o candidato a praticar a psicanálise pode encontrar seu campo teórico na literatura, encontros científicos e no contato com outros psicanalistas, como grupos de estudos, por exemplo, a prática propriamente dita será obtida através de sua análise pessoal e os tratamentos efetuados pelo mesmo e termina mencionado sobre a supervisão que deverá ser realizada por outros psicanalistas mais experientes.
Assim, é explicitado durante a obra de Freud a importância do tripé psicanalítico, uma vez que, apenas o conhecimento teórico como muitos podem imaginar, mostrou-se não ser o suficiente, ele tem a sua importância, mas, o candidato a praticar a psicanálise pode experimentar diversas influências, a exemplo da "contratransferência" Freud (1910), no qual, com sua análise pessoal e sua supervisão, ele poderá conduzir de maneira a reconhecer influências como estas em si mesmo, pois, como mencionado por Freud (1910) "[...] nenhum psicanalista avança além do quanto permitem seus próprios complexos e resistências internas [...]" e assim, através da vivência e dedicação a estes três pilares (Teoria, Análise Pessoal e Supervisão), o candidato poderá ser capaz de tratar seus pacientes pela análise.


Referências:

FREUD, Sigmund. Cinco lições de Psicanálise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, V. XI. Rio de Janeiro: Imago, 1910.

FREUD, Sigmund. Uma neurose infantil e outros trabalhos. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, V. XVII. Rio de Janeiro: Imago, 1917-1918.

FREUD, Sigmund. Um estudo autobiográfico, inibições, sintomas e ansiedade, análise Leiga e outros trabalhos. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, V. XX. Rio de Janeiro: Imago, 1925-1926.







Ricardo Augusto Nunes
Psicoterapeuta / Psicanálise - CRP 06/142680
Contato: 17 9-9776-1984
fale@ricardoaugustonunes.com.br



terça-feira, 13 de março de 2018

QUANDO NOS IDENTIFICAMOS COM O OUTRO


Sabe aquela pessoa que em nosso convívio nos deparamos e quando percebemos estamos sorrindo, gesticulando, atuando ou falando parecidamente a ela? Sim, isso pode ser um sinal da identificação.
Em Psicologia das Massas e Análise do Eu, Freud (2014, p. 100-101) nos diz que "a identificação aspira por dar ao próprio eu uma forma semelhante à do outro eu tomado como modelo [...] o eu toma para si as qualidades do objeto". A identificação também é citada em Horowitz (1991, p. 139), sendo que ela "assimila aspectos da outra pessoa ao eu; preserva a continuidade das formas de ser através das gerações".
Sigmund Freud (1856 - 1939)
Um exemplo notável que Freud descreveu foi o de um pensionato feminino, sendo que uma jovem recebe uma carta e apresenta um ataque histérico de ciúmes e algumas de suas amigas, que sabem do ocorrido irão apresentar o mesmo ataque, através da "infecção psíquica" (FREUD, 2014, p. 102), uma vez que, através da identificação, algumas jovens podem querer estar na mesma situação da jovem que recebeu a carta, aceitando de certa forma o sofrimento uma das outras.
Em sua obra Freud nos cita outros exemplos da identificação, e nos diz que ela não se limitará à pessoa por completa, agindo de forma parcial e apenas em alguns traços, assim, você poderá estar falando, andando, gesticulando ou quem sabe aquela gargalhada muito parecida a de alguém, sendo este próximo ou oriundo dos meios de comunicação.
Desta forma o importante é a reflexão e tornar-se consciente de quais modelos estamos nos identificando e se isso pode estar ocasionando algum sofrimento psíquico em nossas vidas sem nos darmos conta, reflexão e consciência, que somente poderá ser obtida através da psicoterapia e em caso de dúvida, procure a ajuda de um profissional.

Referências:
FREUD, Sigmund. Psicologia das Massas e Análise do EU. Porto Alegre. L&PM, 2014.
HOROWITZ, Mardi. Introdução à psicodinâmica - uma nova síntese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.



Ricardo Augusto Nunes
Psicoterapeuta / Psicanálise - CRP 06/142680
Contato: 17 9-9776-1984
fale@ricardoaugustonunes.com.br

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

GRUPO DE ESTUDO PSICANALISE DO ACOLHIMENTO

GRUPO DE ESTUDO PSICANALISE DO ACOLHIMENTO

Reflexões sobre os possíveis recursos na expansão do pensar.
Estudo das teorias de Freud, Klein, Winnicott e Bion, 
aplicadas na prática da clínica psicoterapêutica.

Presencial, ou via SKYPE 

Turmas às terças e as quartas, sempre das 19:00 às 20:30
Coordenação Prof. Renato Dias Martino
Investimento R$ 70,00 mensais
Inscrições: prof.renatodiasmartino@gmail.com

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A VIDA É SEMPRE UMA APOSTA

Apostar é um risco, uma ideia que percorre o corpo e que escorre pelos dedos das mãos sem sequer dar tempo de preencher a falta que deixa em nosso corpo. Por não existir garantias, o sujeito fica a benefício da esperança [do verbo esperançar], que significa sustentar o desejo produzindo o movimento de si mesmo para tornar o desejo possível de realização. 
Mas para ganhar é preciso que o sujeito seja [ousado e valente], ousado para continuar a desejar e valente para aprender a perder e ser o mínimo possível criativo em presença do vazio que o sentimento de perda promove. Aprender a perder só pode ser possível pelo viés da experiência, que quando nos atravessa faz tornar possível compreender e significar o que representa esse percurso a nós sujeitos do inconsciente.
Infelizmente [ou de maneira feliz], o sujeito tem de haver com o que lhe causa: mesmo que “escolha” viver pela ilusão. O método que os livros de “autoajuda” se propõem, só pode ajudar o próprio escritor que oferece o método, que traz o ganho das cifras em sua conta bancária. Há teóricos que “ensinam” o [treinamento da mente] para condicionar o sujeito, de maneira alienada [politicamente correta], a se encaixar numa sociedade que está doente dos nervos. 
O sujeito insiste em querer criar um método que possa domar a mente, que é uma tarefa que beira o abismo de tão impossível, entre mente e corpo existe o inconsciente que conduz de maneira selvagem o sujeito e que jamais pode ser domado. Podemos aprender a sermos gentis e amáveis para fazer as pazes com ele e assim viver o mais próximo do que “chamamos” de harmonia.  
Métodos de treinamento e condicionamento da mente pode até perdurar por algum período, mas devo alertar que o sujeito sedento por ser desejado é incapaz de sustenta o desejo do outro por muito tempo. O inconsciente é indomável e cobra um alto preço aquém o desafia. 
Sustentar o desejo de transformação [independente de sua causa] deve surgir do próprio sujeito do inconsciente. Por isso é pontual a importância de sustentar vínculos que sejam saudáveis ao aparelho psíquico, uma vez que, basta à existência do inconsciente do sujeito que se defende do seu desejo, gerando um movimento que vai sempre contra e não a favor da realização deste desejo.
Se conselho fosse bom, vendia-se. Por assim dizer, faço sugestivo que corra o risco, aposte em sua análise pessoal. Aposte na sua vida, o preço mais alto a ser pago é aprender a perder, se responsabilizar-se por seu percurso. Um grande e duro osso a se roer.
Se desejar fazer terapia, faça um contato telefônico.
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Maicon Vijarva I Psicoterapeuta de Orientação Psicanalítica.
📞 (17) 98151-6943
Snapchat I Instagram @acuradefreud
www.acuradefreud.blogspot.com.br

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Convite para o lançamento do livro PSICANÁLISE DO ACOLHIMENTO vol. 1

O GEPA - Grupo de Estudo Psicanálise do Acolhimento faz um 
convite para o lançamento do livro PSICANÁLISE DO ACOLHIMENTO vol. 1
Apresentando 14 autores com importantes temas da psicanálise.
Local: OBA - Obra Assistencial da Basilica - 
R. Floriano Peixoto, 1200 - Boa Vista, São José do Rio Preto, SP
Informações pelo fone 17 30113866
Dia 20 de maio de 2017 às 16:00 hs.
Venha prestigiar e traga um litro de leite para obra de caridade!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sobre o Vencer e o Medo

Ensinam desde cedo que é preciso vencer na vida, que não se deve ter medo do caminho a seguir. Mas torna-se árdua essa tarefa, quando não se nasce num berço suficientemente bom, com as condições necessárias para correr riscos sem medo de voltar para o porto seguro.
Para que se possa vencer adequadamente, sem muita dificuldade, é preciso sim que o sujeito tenha o mínimo de ambiente suficientemente bom – para que seja possível sustentar a descoberta de si mesmo enquanto evoluí fisicamente e psiquicamente.
Modelos de superação, só servem para saber o quanto um ser humano pode chegar. Não que tais modelos devam ser seguidos. Na travessia de um lado ao outro da ponte, o que importa não é chegar ao objetivo, mas o gozo que se sente em ser enquanto atravessa a passagem até a chegada do que se almeja.
A cobrança do ambiente familiar, manipulado pela sociedade, destrói a habilidade da criança que está se desenvolvendo e nutre apenas o desespero por ser aceita por aquilo que não é e ofusca e reprime o potencial que existe em cada sujeito.
A criança que está em desenvolvimento por querer ser amada fica ainda mais vulnerável, acaba por se transformar no que os pais desejam, tornando-se adultos frágeis e melancólicos, sem prazer em sua existência.
Vencer e o medo sempre caminharam juntos, o medo é medidor para o sujeito em suas escolhas. Sentir medo é normal, sendo esse sentimento colaborador para o desenvolvimento do ser do indivíduo. Quando o sujeito é impedido de sentir medo, a capacidade de questionamento é deixada de lado, sendo levado pela vida a caminhos que não faz sentido a sua existência, impedindo o desenvolvimento do ser e suas ramificações.
Ser forte e vencedor, não significa que se é bem sucedido. O sujeito bem sucedido é aquele que pode sentir e a partir do seu sentir, pode pensar e questionar se o caminho de suas experiências que está seguindo é enriquecedor a sua vida.
Portanto, o ambiente familiar necessita ser suficientemente bom, para que a criança possa experimentar, testar e escolher o que fazer com o que surgem em seu dia a dia. A criança não deve ser forçada a fazer algo que não quer. O máximo que a figura familiar pode fazer é expor ideias, provocações filosóficas com o brincar da criança, estimular a partir do mundo dela – criança.
Wilfred R.Bion (1897 - 1979)

Wilfred R.Bion (1979) faz a reflexão de que o analista precisa ser em analise sem desejo e sem memória com o seu analisando. Faço aqui, a releitura e penso que os pais precisam ser com as crianças sem desejo e sem memória, para que as crianças possam ser por elas mesmas, descobrindo a partir dos modelos dos pais.
São os modelos dos pais, que serão alicerce para que o sujeito possa lidar com suas frustrações, medos e conquistas, e então ir se tornando um vencedor.

Bion. W. 1858/1979 COGITAÇÕEs. Ed. Imago. RJ, 2000. 1979 
________UMA MEMÓRIA DO FUTURO III. A aurora do esquecimento. Imago, RJ, 1996.







Maicon José de Jesus Vijarva
Escritor e Psicoterapeuta
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017