sábado, 8 de outubro de 2016
sábado, 3 de setembro de 2016
I Jornada do GEPA
I
Jornada do GEPA
Grupo de Estudo Psicanálise do Acolhimento
Da Capacidade de Vinculação no Mundo Atual
Dia 08 de outubro de
2016, sábado. A partir das 09:00, no Centro Cultural Vasco, Rua São João n°
1840
Boa Vista
Boa Vista
Investimento R$ 30,00
antecipado - Inscrições pelo e-mail prof.renatodiasmartino@gmail.com,
informações pelo fone 17-30113866
Conferencias:
OS RELACIONAMENTOS LÍQUIDOS E AS VIRTUALIDADES
Jessica Kemelly Marques - Psicoterapeuta
Uma reflexão sobre os novos arranjos de
relacionamentos que por outrora tem se tornado cada vez mais líquido. O que faz
com que isso aconteça? Estaríamos em uma nova era de relacionamentos? Essas são
algumas questões que serão abordadas no decorrer da reflexão.
PSICANÁLISE E CONTEMPORANEIDADE: Desafios ao Cuidado
Psicoterapêutico
Mical Cavalcante - Psicoterapeuta
Os desafios do cuidar na contemporaneidade. Das
Vicissitudes importantes ocorrentes desde o nascimento da psicanálise, que prosseguem afetando o sujeito em todas as
eras, até as novas formas de enfrentá-las no presente momento. Com os impactos
do imediatismo do mundo pós-moderno, a intolerância à frustração e ainda as transformações
no conceito de subjetividade, como a psicanálise contribui com suas teorias e
práticas para certa forma de manejo de tais inquietações.
A IMPORTÂNCIA DO OLHAR RECONHECEDOR: Da teoria a
prática clínica
Paulo Henrique de Oliveira - Psicoterapeuta
Descrição: Pensar através da proposta teórica
psicanalítica a constituição do sujeito sob a importância do olhar do outro,
suas implicações; e os desafios da clínica psicanalítica contemporânea.
DESAMPARO E O AMOR SEQUESTRADO: O Complexo da Mãe
Morta
Maicon
Vijarva - Psicoterapeuta
A separação saudável deve dar lugar à criação de uma
mediação para paliar os efeitos traumáticos da ausência e elaborar a integração
no interior do ego da criança. A ausência de afetividade produzirá um
“complexo”, que remonta hipoteticamente o afastamento e falta de interesse
materno, que conduzirá a criança a assumir medidas drásticas, como indiferença
ante o mundo externo e identificação inconsciente com a mãe melancólica.
A PSICANÁLISE E O PENSAR: Dentro e fora do setting
terapêutico.
Aline Fiamenghi Portera Do Carmo - Psicoterapeuta
O pensar gera desconforto e não é bem recebido no
mundo da obrigação do saber, do fazer e da euforia. A contemporaneidade com
suas ferramentas para lidar com o mundo externo deixando a desejar quanto ao
interno.
No setting terapêutico é possível encontrar um
ambiente acolhedor, proporcionando a sensação de amparo através da escuta
cuidadosa e atenta do analista real que não embutirá pensamentos no analisando,
mas deve sim questioná-los. Abre-se a oportunidade de amadurecimento mental para
lidar com os obstáculos do dia-a-dia.
A DEPRESSÃO E O AMAR - Apresentação do livro A
Depresão e o Amar
Thais Regina Pereira e Jéssica Tathyane Barbosa - Psicoterapeutas
e Escritoras
O sujeito em processo depressivo está exposto a
transformação e consequentemente a dor psíquica. Como lidar, e vivenciá-la, de
maneira saudável? O vínculo afetivo vem para nos auxiliar nesta busca
incessante. A vinculação afetiva capaz de ser continente e acolhedora pode
auxiliar no enfrentamento da dor emocional, para transpor com menor sofrimento
e melhor capacidade de se transformar e desenvolver-se.
Jessica Kemelly Marques, Joice
Rodrigues, Thais Regina Pereira,Carlos
Cesar Pedretti Paulino Carlos, Desirèe Leonel D Martino, Jéssica Tathyane, Mical Cavalcante, Maicon Vijarva, Paulo Henrique de Oliveira, Marilda Cicalé, Maria Sonia Dias Aline Fiamenghi e Mara
Raquel Medeiros
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
MANEJO DO CIÚME: INVEJA E GRATIDÃO
O ciúme é um importante
sentimento para o indivíduo em sua tenra infância, e tem uma atribuição
respeitável para psicanálise, nos primórdios do desenvolvimento do sujeito. O
que nos revela que sua configuração e efeitos no sujeito dependem da estrutura
que o sustenta. O ciúme tem a característica de ser um estado emocional por
despertar a percepção de uma possível ameaça a um vínculo ou posição de valor,
que produz comportamento que se dispõe a liquidar com essa ameaça.
A partir desta
perspectiva, percebemos que dentre as emoções humanas, o ciúme é um sentimento
comum e deveras importante no desenvolvimento do indivíduo e entre os tipos de
ciúme, o patológico é um sentimento que tem despertado uma visibilidade de
grande proporção e que mereça uma maior atenção em seu manejo na
contemporaneidade.
A motivação que gera o
comportamento ciumento nasce das relações de junções tríade: pensamentos, emoções e ações, movido por um
objeto ameaçador ou a particularidade do vínculo com esse objeto desejado e
invejado. O indivíduo enciumado age no intuito de preservar a si mesmo, a
partir da castração do objeto desejado e invejado em que está veiculado.
Pode-se dizer que o sujeito-ciumento-invejoso não podendo se tornar o objeto
desejado, tende a destruí-lo parcialmente, para que esse objeto-desejado não
seja capaz de se sustentar sem sua presença.
Como podemos perceber,
o ciúme se configura de variadas formas. Por ser uma manifestação afetiva muito
comum, traz consigo uma dificuldade na compreensão de sua configuração entre
ciúme clássico e patológico.
Para melhor
esclarecimento, a diferença entre o ciúme clássico e o patológico é simples. O
primeiro se refere a busca do sujeito em preservar os vínculos, já no segundo,
se refere a busca do sujeito em satisfazer a si mesmo, na tentativa de
aniquilar o desejo do outro: apenas o indivíduo enciumado que pode ser desejado
e ter o seu desejo realizado. É desta forma, que cria em sua mente, um enredo
para justificar externamente as suas frustrações e preocupações com a possível
perda do objeto desejado.
Entende-se o ciúme, no
senso comum, como uma disposição de domínio, emaranhado com o outro, no outro.
Mas, de acordo com nossas reflexões de ciúme, podemos notar que essa
classificação se encaixa melhor na posição de ciúme patológico. Devido a
vontade de possuir, a ausência de confiança, identificação com o melancólico.
Essas características dificultam a relação conjugal ou relação com outras
pessoas da sociedade.
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| (1927 - 2012) |
É interessante citar
aqui, o escritor e psicanalista contemporâneo André Green (1927 - 2012), que descreve em 1988 essa
figura materna como ausente e propulsora das identificações do sujeito com o
melancólico, com a dificuldade de elaboração de frustrações, na problemática em
se relacionar com o outro ou de percebê-lo como sujeito subjetivo, imponderado
de um outro universo além do sujeito de ciúme patológico.
O universo do indivíduo
ciumento não consegue ser capaz de distinguir imaginação, fantasia e realidade.
Tudo se mistura, sem espaço para percepção consciente. No entanto, quando
ocorre essa percepção consciente, o ciumento de grau patológico nega e se
retraí, na tentativa de buscar formas para se reestruturar internamente. O que
o ciumento patológico procura é o controle total dos sentimentos, da atenção e
do comportamento do outro.
No ponto de vista de
Lacan (1988) o desejo do homem encontra seu sentido no desejo do outro, não
tanto porque o outro detenha as chaves do objeto desejado, mas porque seu
primeiro objeto (do desejo do homem) é ser reconhecido pelo outro. Se o
ciumento patológico não conseguir ser reconhecido por ser o que é, o fará de
forma forçada, na tentativa de se impor como sujeito a ser desejado por aquele
em que ele projetou seu desejo.
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| Melanie Klein (1882 — 1960) |
Para Melanie Klein
(1957), define a inveja e a distingue da voracidade e ciúme através da ação dos
diversos mecanismos de defesa e das relações de objeto. Na gratidão a autora
descreve ser um sentimento impulsionador do desejo de retribuir a satisfação (o
seio materno, fonte de prazer) conseguida e leva à separação, permitindo também
as sublimações.
Se entendemos que o
ciúmes clássico é uma forma de sentir ameaçado por investidas externas, e que
essa ameaça impulsiona o sujeito ciumento a nutrir o vínculo na intenção de
preservar. Na inveja excessiva intrínseca no sujeito ciumento patológico, leva,
habitualmente, à dissociação das partes consideradas más, com as consequentes
divisões que sofre o ego, podendo causar mesmo verdadeira fragmentação. No
inverso, a integração inesperada dos aspectos invejosos desconexos pode ter
como consequência a manifestação de crises psicóticas, que são respeitáveis no
discurso do tratamento psicanalítico.
De fato, dentro da
perspectiva psicanalítica, é difícil vencer certos pontos cruciais dos laços
vivenciados, representado pelo aproveitamento e melhoras reais obtidas pelo
sujeito dentro do vínculo, pois este, devido à excessiva inveja que sente do
par amoroso, se desfaz logo do alívio e das melhoras alcançadas.
Em Melanie Klein
(1957), com a regressão e a piora que a seguir se instala, não só diminui sua
inveja como também expia a culpa correspondente. Na dupla amorosa, o sujeito
ciumento-invejoso sentirá extrema dificuldade em sentir satisfeito com sua
posição positiva dentro da relação. De sorte, para evitar a inveja do par
amoroso, os progressos realizados, para serem bem aceitos, devem ser lentos e
graduais. É aqui que a análise entra, na tentativa de levar o sujeito
ciumento-invejoso a busca de reconhecer a sua condição de invejoso, para
futuramente, de forma gradual, reconhecer a gratidão que venha a se instalar.
Levando em conta, ser uma tarefa muito difícil aceitar o alívio, felicidade e
bem-estar porque está implícita a necessidade de poder expressar gratidão.
A gratidão, inveja e
ciúme são sentimentos difíceis de elaboração e, ainda mais, de serem
identificados e compreendidos em nós mesmos, de maneira especial quando
considerados em sua grandeza, significação e profundez exatas.
Para Melanie Klein
(1957), mesmo a gratidão – que é baseada em sentimentos amorosos – é com
facilidade confundida com o que se nomeia de “falsa gratidão”. Esta, ao invés
de estar ligada à confiança e aceitação do bom objeto, bem como do
reconhecimento do que dele se recebeu e à necessidade de retribuir a
gratificação obtida, é primariamente um procedimento que tenta manter
controlado o objeto, considerado perseguidor, através do seu aplacamento por
meio de conduta aparentemente adequada e oferendas.
De tal modo, talvez o
fato que acabara de ser mencionado pode se fundar em um exemplo das robustas
resistências em focalizar este tema emocionalmente tão envolvente para todos,
tanto para o sujeito ciumento como para o par amoroso.
Podemos utiliza de uma
fábula para elucidar o funcionamento da psique daquele que vivencia
veementemente o sentimento de inveja, aqui no caso o ciumento patológico. A fábula narra a história de certa ocasião,
em que um homem extremamente invejoso de seu vizinho, recebe a visita de uma
fada, que lhe dá a possibilidade de realizar um único desejo, então disse a fada
ao homem: peça o que desejar, desde que seu vizinho receba em dobro. O invejoso
em seguida respondeu, quero que lhe arranque um olho.
A moral da fábula é
nítida, o prazer do ser humano em ver o seu próximo se prejudicar prevalece
sobre qualquer desejo de benefício pessoal, embora seja uma satisfação pessoal
de ver o outro sofrer. Não é preciso ir muito longe, na perspectiva do pensar,
para chegar à conclusão da psicanalista Klein (1974) de que a inveja é uma
característica poderosíssima na erosão das raízes do sentimento de amor e
gratidão, de modo a afetar a relação mais ancestral de todas, a relação com a
figura materna. A veridicidade radical da manifestação da inveja é o seu
impulso destrutivo, por levar o sujeito a incidir e destruir o objeto bom, cujo
a introjeção é o alicerce do funcionamento psíquico. Esse afeto, por nem sempre
ser consciente, inibe a assimilação de experiências boas e, deste modo, a
possibilidade de integração com a psique.
De acordo com a autora,
a inveja não é produto da decepção ou frustração, ela é parte da vida psíquica
do sujeito desde a tenra infância independente das atitudes da figura materna e
do seu ambiente oferecido. Pelo adverso, a inveja emana do próprio sujeito,
sendo sentimento endógeno. Em contrapartida, para Winnicott (1971), a inveja é
fator secundário, proveniente de uma falha na elaboração do ambiente, sendo a
relação mãe-bebê fator primordial para acolher o sentimento de inveja da
criança, contribuindo para uma boa resiliência do sentimento de inveja.
Para Martino (2015), o medo de perder é filho
do desejo de posse. O que nos revela que o sujeito enciumado somente aprenderá
a reconhecer a realidade depois de experimentar a sensação de que essa
realidade é uma extensão de seu desejo. Freud (1821) traz uma realidade
interessante: “se nós mesmos não podemos
ser os favoritos, pelo menos ninguém mais o será”, “só ama o outro quem ama
a si mesmo; só ama a si mesmo quem foi amado pelo outro” (Martino, 2015). Em
outras palavras, o sujeito enciumado inseguro de si mesmo troca aquela coisa
que mais tem habilidade por aquilo de que não é capaz.
Tal reflexão faz alusão
ao pensamento de Bion (1967) em que traz a proposta de realidade última, que
depende funcionalmente da capacidade de tolerar frustrações. Para o intolerante
(o ciumento), é melhor não ver, não saber. Essa tolerância só é obtida em dois
momentos, no primário, com a figura materna e no secundário, com a figura
analista. A primeira tende a ser menos árdua que a segunda, por tratar-se de
uma demanda interna maior, para elaboração do sujeito.
Maicon José de
Jesus Vijarva
Escritor e Psicoterapeuta
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sexta-feira, 5 de agosto de 2016
A Dupla Frustrada: uma resistência à mudança catastrófica.
Quando nos referimos à
dupla dentro de uma analise (analisando e analista) nem sempre ela vai elucidar
uma mudança catastrófica, em que Wilfred Ruprecht Bion (1897 — 1979) nos
orienta ser o essencial dentro de uma analise.
![]() |
| Wilfred Ruprecht Bion (1897 — 1979) |
“Diz Bion que a
resistência a esse tipo de mudança é um sinal não só da existência da mente, da
existência da realidade ultima, mas do medo que as pessoas têm de crescer e de
passar de K para Ó.” (REZENDE, 1994, pg. 190)
![]() |
| Galileu Galilei (1564 — 1642) |
“A interpretação que faz
crescer é um ato de conhecimento, e a resistência ao crescimento pode muito bem
começar como um ataque a K. Atacando K, ataca também os efeitos emocionais, por
exemplo, a capacidade criativa desse mesmo par.” (REZENDE, 1994, pg.192)
Para restabelecer o vinculo o analista
precisa saber reconhecer e lidar com o seu lado psicótico da mente para assim
saber lidar com o ataque psicótico do paciente ao vinculo tornando se capaz de
ser continente para o excesso de identificação projetiva, pois este paciente
esta usando mecanismos psicóticos para se comunicar com o analista e se o mesmo
não souber decifrar esse mecanismo é como se o próprio analista estivesse
atacando o vinculo.
REZENDE,Antonio Muniz, A metapsicanálise de Bion, além dos modelos. Ed.Papirus, 1994Jessica Kemelly Marques
Ψ Psicoterapeuta/PsicanáliseContato: (17) 3249-4781/ 99154-5310
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
O Grupo
Encontros às quartas às 19:00 e sextas às 20:00
http://
sábado, 2 de abril de 2016
Do desapego antes do fim
“O que aconteceu só se mantém
através da memória, e a memória é seletiva, traiçoeira em potencial, por
fundir-se ao conteúdo impensado da mente, invalidando assim sua fidedignidade
com a realidade dos fatos. O desejo logo se mostra ilusório, já que o “mais
tarde” é mistério. O espaço/tempo do aqui e do hoje é uma graça da existência,
o real se faz no agora e aqui.” (Martino, 2015)
O tempo na
realidade é imutável, somos nós que passamos pelo tempo, e de nós só resta o
aqui e o agora, o momento da transformação e da realidade. O ontem não se
modifica, nada podemos fazer quanto ao passado, apenas aceitá-lo e nos
responsabilizarmos pelo que fomos e pelo que nos transformamos. E ainda assim,
a compreensão que temos de nós mesmos quanto ao que fomos no passado, é
limitada demais, e tentar compreender esse eu que se foi, é ilusão. O
que fui à um segundo atrás, já não sou mais. O amanhã é mistério, e viver agarrado
a esse mistério traz ansiedades infundadas, desnecessárias. É no hoje que temos a possibilidade de nos
conhecermos, de nos apresentarmos e lançar luz ao desconhecido que há em nós
mesmos.
Jéssica Tathyane Barbosa
Psicoterapeuta e escritora
Autora do livro A Depressão e
o Pensar: Sob a Perspectiva Psicanalítica
Contato - 17- 99195-8277
t_ati_jessi@hotmail.com
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