sábado, 22 de outubro de 2016

Sobre a Mãe e o Filho

Baseando-se em experiências passadas e expectativas futuras, a mãe, quando presa em seu narcisismo, faz de tudo para reter o filho junto de si. E nessa perspectiva de enxergar o mundo com seus próprios olhos, impede o filho de cavalgar. Assim, a mãe se sente segura, e torna o filho leal a ela. Essa condição neurótica da mãe (narcísica) de querer a lealdade do filho o impede de desprender-se dela. Do mesmo modo, sua liberdade de ideias, seus impulsos imaturos e sua independência ficam comprometidos. Para
Donald Woods Winnicott (1896 —1971) pediatra e psicanalista inglês, em seu livro O BRINCAR E A REALIDADE, de 1975, “a mudança do estado primário para um estado em que a percepção objetiva é possível, não é apenas questão de um processo de crescimento inerente ou herdado; necessita, além disso, de uma mínima provisão ambiental e relaciona-se a todo imenso tema do indivíduo a deslocar-se da dependência no sentido da independência”. A idealização do “filhinho da mamãe” no passado faz com que o filho continue amarrado à “saia da mãe” no futuro.
Dessa forma, o filho tende a imitar a mãe, tendo os mesmos interesses que ela. Interesses esses que, embora muitas vezes inconscientes, vêm em forma de ação, atos praticados por ela, passando para o filho seus sonhos que tanto quis e teve que renunciar. Melanie Klein (1882 —1960) em AMOR, ÓDIO E REPARAÇÃO (1967) escreve: “se, em resultado de um conflito não-solucionado do passado, a mãe sente-se por demais culpada em relação ao seu próprio filho, ela poderá necessitar tão intensamente o seu amor a ponto de utilizar-se de vários artifícios para prendê-lo fortemente a si e torná-lo dependente dela; ou ainda, haverá de dedicar-se exageradamente à criança, fazendo dela o centro de toda a sua vida".
Melanie Klein
(1882 —1960)
A mãe incorpora o filho como parte de si. Sendo assim, o filho fica preso à mãe, e sem a falta da mãe não consegue reconhecer-se a si mesmo, e sem reconhecer-se a si mesmo não consegue reconhecer o outro, a não ser a própria mãe. Assim, podemos usar a expressão: “filhinho da mamãe”.




Carlos César Pedretti Paulino
Psicoterapeuta
Fone: 17-988228451

carloscpaulino@hotmail.com