quarta-feira, 24 de maio de 2017

VONTADES & DESEJOS: UMA CONTEXTUALIZAÇÃO POSSÍVEL ENTRE AS REPRESENTAÇÕES CONCEITUAIS DE PRISÃO E LIBERDADE

Quantas vezes já nos percebemos aprisionados pelos nossos desejos?
Quantas vezes nos aproximamos, ou potencializamos o ideal de liberdade perante a realização de nossas necessidades?

Schopenhauer, professor e influente filósofo do século XIX, refletiu e explorou amplamente a questão da vontade humana em suas respectivas obras literárias e filosóficas, criando assim uma identidade própria e relevante para este pensamento em questão. 
Desta forma, Schopenhauer caracteriza que o humano é guiado absolutamente pela sua vontade, onde concentra-se nesta perspectiva, a busca por realiza-las, inicialmente por necessidades básicas e intrinsecamente internas, que vão sendo transformadas e alocadas à constituição psíquica, posteriormente reconhecidas como desejos, advindas pelas expectativas inerentes e unificadas antes mesmo do contato real com a coisa em si.

“Antes a palavra do enigma é dada ao sujeito do conhecimento que aparece como indivíduo. Tal palavra chama-se vontade. Esta, e tão somente esta, fornece-lhe a chave para seu próprio fenômeno, manifesta-lhe a significação, mostra-lhe a engrenagem interior de seu ser, de seu agir, de seus movimentos. ” (SCHOPENHAUER, 2005 pg. 156-157).

A vontade então, é o que rege a vida humana segundo a contribuição experimentada por Schopenhauer, algo que por natureza caracteriza e representa a pulsão de vida, muito íntimo e mistificado como o princípio das ordens das necessidades humanas.
                                  
Enquanto a necessidade não se deve prescindir, e se impõe de maneira direta ao nosso funcionamento, a posição do desejo e suas forças por realizações encontram-se devidamente pré-estabelecidas e revogáveis ao homem.  O encontro entre as representações de prisão e liberdade se torna possível pela distinção daquilo que se encontra necessário ao desenvolvimento integral do sujeito e sua realidade.
Aquilo que, em alusão às ilusões, está alocado como renúncia dessa mesma realidade, tido como satisfação de adoração fictícia ou enganosa, representada aqui pelo ideal de desejo, que se estabelece pelo caráter insatisfatório de nossas realizações acompanhado pela sensação de inconclusão.
Cada vez que agimos exclusivamente e incontestavelmente ao acordo de nossos desejos, ao fim de realiza-los pela posição de intolerância, nos percebemos ainda mais conviventes e fiéis deste ciclo, que por não ter nenhuma objeção inclusa e implicada ao processo, mostra-se como representante único deste círculo de infinidade contínuo, o que associa-se diretamente aos ideais de uma prisão em forma psicológica.

Assim, quando nos encontramos sustentados pela supressão de uma necessidade, experimentamos e sentimo-nos acolhidos por um sentimento mais comum do que conhecemos como liberdade.
A busca pelo discernimento destes fenômenos nos coloca em compreensão dos elementos que na realidade não são de forma alguma desconexos um do outro, assim como todos os outros presentes na realidade, mais que na impensável ação cotidiana vem sendo amplamente confundidos e atrasando o desenvolvimento que mantemos com nós mesmos em nossas relações com a realidade.
Desta forma a atribuição estabelecida aqui acerca dos desejos não exime pela consciência transcorrida todo e qualquer movimento de superação deste fenômeno, pois como as necessidades que são indispensáveis para a vida humana, os desejos, assim como os ideais, se coerentes com a realidade também o são, o desafio em si concentra-se na responsabilidade pessoal adquirida pelas experiências, que mostra-se mais uma vez revigorantes ao autoconhecimento humano, ao passo que podemos refletir e estabelecer novos caminhos pelas capacidades então adquiridas através destas perspectivas.



SCHOPENHAUER, A. 1788-1860 O Mundo Como Vontade e Representação. Primeiro Tomo, tradução, notas e índices por Jair Barboza. São Paulo – SP.  Editora Unesp, 2005.




Pedro Volpato
Psicoterapeuta
Contato:
pedrovolpato.blog@gmail.com

17 98154-4941

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Convite para o lançamento do livro PSICANÁLISE DO ACOLHIMENTO vol. 1

O GEPA - Grupo de Estudo Psicanálise do Acolhimento faz um 
convite para o lançamento do livro PSICANÁLISE DO ACOLHIMENTO vol. 1
Apresentando 14 autores com importantes temas da psicanálise.
Local: OBA - Obra Assistencial da Basilica - 
R. Floriano Peixoto, 1200 - Boa Vista, São José do Rio Preto, SP
Informações pelo fone 17 30113866
Dia 20 de maio de 2017 às 16:00 hs.
Venha prestigiar e traga um litro de leite para obra de caridade!