sábado, 17 de setembro de 2016

Entre a Inveja e a Gratidão

Nos dividimos entre a inveja e a gratidão. A inveja é destrutiva e inerente à mente, um mecanismo de defesa (Projeção) que nos leva a desejar o que não temos. Segundo Martino (2011), “eu só posso ser grato se um dia eu invejei, se eu nunca invejei, eu não posso ser grato de nada”.
Quando um bebê sente inveja do seio porque a mãe não é suficientemente boa, não o satisfaz, ele suga o seio com o desejo de destruí-lo. Assim faz o adulto, sugando o seio alheio, de uma maneira que possa o deixar satisfeito, e quando isso não acontece, vem um sentimento raivoso de inveja, ou posso tê-lo ou então desejo estragá-lo.
Muitas vezes, ter não é o suficiente, é preciso mostrar o que se tem, o que foi adquirido. O invejoso não é capaz de olhar para aquilo que conquistou. Por alguma razão, precisa da aprovação do outro. Nesse caso, a inveja se caracteriza pela ingratidão de si próprio, ou seja: a ingratidão passa a ser filha da inveja.
Para Melanie Klein, em seu livro Inveja e Gratidão de 1957, “a inveja é sempre uma paixão vil, carregando em seu caminho as piores paixões”. 
Pois bem, se eu só posso ser grato se um dia eu invejei, assim como afirma Martino em Para Além da Clínica, isso me propõe pensar que eu só posso saber o que é uma coisa passando por ela, portanto, me parece indispensável passarmos pelas piores paixões para que possamos ser gratos. 
Assim, como podemos observar, a gratidão advém de uma percepção do sofrimento psíquico de si mesmo. E me parece conveniente pensarmos que, a partir desse momento, restauramos a outra parte do eu, a parte que nos capacita o reconhecimento do outro. E assim, podemos olhar para o outro com empatia. E por consequência, não há mais desejo de destruição do outro, não há mais medo, e uma mente sem medo é capaz de infinita gratidão.
Krishnamurti (1969) lembra que: “Enquanto não nos livrarmos do medo, ainda que galguemos o mais alto cume, ainda que inventemos toda espécie de deuses, ficaremos sempre na escuridão”.


MARTINO, Renato Dias. Para Além da Clínica,  1. ed. São José do Rio Preto, SP : Inteligencia 3 Editora, 2011.
KLEIN. M. Inveja e Gratidão. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1957.
KRISHNAMURT, J. Liberte-se do Passado. Trad. Hugo Veloso. São Paulo: Cultrix, 1969.




Carlos César Pedretti Paulino
Psicoterapeuta
Fone: 17-988228451
carloscpaulino@hotmail.com

sábado, 3 de setembro de 2016

I Jornada do GEPA

I Jornada do GEPA
Grupo de Estudo Psicanálise do Acolhimento
Da Capacidade de Vinculação no Mundo Atual
Dia 08 de outubro de 2016, sábado. A partir das 09:00, no Centro Cultural Vasco, Rua São João n° 1840
Boa Vista
Investimento R$ 30,00 antecipado - Inscrições pelo e-mail prof.renatodiasmartino@gmail.com, informações pelo fone 17-30113866


Conferencias:
OS RELACIONAMENTOS LÍQUIDOS E AS VIRTUALIDADES
Jessica Kemelly Marques - Psicoterapeuta
Uma reflexão sobre os novos arranjos de relacionamentos que por outrora tem se tornado cada vez mais líquido. O que faz com que isso aconteça? Estaríamos em uma nova era de relacionamentos? Essas são algumas questões que serão abordadas no decorrer da reflexão.
PSICANÁLISE E CONTEMPORANEIDADE: Desafios ao Cuidado Psicoterapêutico
Mical Cavalcante - Psicoterapeuta
Os desafios do cuidar na contemporaneidade. Das Vicissitudes importantes ocorrentes desde o nascimento da psicanálise,  que prosseguem afetando o sujeito em todas as eras, até as novas formas de enfrentá-las no presente momento. Com os impactos do imediatismo do mundo pós-moderno, a intolerância à frustração e ainda as transformações no conceito de subjetividade, como a psicanálise contribui com suas teorias e práticas para certa forma de manejo de tais inquietações.
A IMPORTÂNCIA DO OLHAR RECONHECEDOR: Da teoria a prática clínica
Paulo Henrique de Oliveira - Psicoterapeuta
Descrição: Pensar através da proposta teórica psicanalítica a constituição do sujeito sob a importância do olhar do outro, suas implicações; e os desafios da clínica psicanalítica contemporânea.
DESAMPARO E O AMOR SEQUESTRADO: O Complexo da Mãe Morta
 Maicon Vijarva - Psicoterapeuta
A separação saudável deve dar lugar à criação de uma mediação para paliar os efeitos traumáticos da ausência e elaborar a integração no interior do ego da criança. A ausência de afetividade produzirá um “complexo”, que remonta hipoteticamente o afastamento e falta de interesse materno, que conduzirá a criança a assumir medidas drásticas, como indiferença ante o mundo externo e identificação inconsciente com a mãe melancólica.
A PSICANÁLISE E O PENSAR: Dentro e fora do setting terapêutico.
Aline Fiamenghi Portera Do Carmo - Psicoterapeuta
O pensar gera desconforto e não é bem recebido no mundo da obrigação do saber, do fazer e da euforia. A contemporaneidade com suas ferramentas para lidar com o mundo externo deixando a desejar quanto ao interno.
No setting terapêutico é possível encontrar um ambiente acolhedor, proporcionando a sensação de amparo através da escuta cuidadosa e atenta do analista real que não embutirá pensamentos no analisando, mas deve sim questioná-los. Abre-se a oportunidade de amadurecimento mental para lidar com os obstáculos do dia-a-dia.
A DEPRESSÃO E O AMAR - Apresentação do livro A Depresão e o Amar
Thais Regina Pereira e Jéssica Tathyane Barbosa - Psicoterapeutas e Escritoras
O sujeito em processo depressivo está exposto a transformação e consequentemente a dor psíquica. Como lidar, e vivenciá-la, de maneira saudável? O vínculo afetivo vem para nos auxiliar nesta busca incessante. A vinculação afetiva capaz de ser continente e acolhedora pode auxiliar no enfrentamento da dor emocional, para transpor com menor sofrimento e melhor capacidade de se transformar e desenvolver-se.