Neste texto pretendo falar sobre algo que apenas é possível
se o sujeito teve a chance na vida, de ter sido acolhido. A Psicanálise nos
convida para um olhar cauteloso e mais profundo acerca da importância dos
vínculos para a maturação e expansão do eu, é a partir da relação com o outro
que aprendemos a mais sublime das capacidades, o amor. E aprendemos com o outro
a amar-se, tarefa imprescindível para um bom funcionamento mental e para
possibilitar o caminho da expansão do ser.
Um ego com a capacidade de responsabilizar-se pelo que está sendo, antes
deve ter tido um continente que pôde ser responsável por ele e que lhe
proporcionou a oportunidade de auto reconhecimento
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Sigmund Freud (1856-1939) |
Sigmund Freud (1856-1939) traz em 1911 no seu texto
“Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental” a teoria dos
processos mentais que regem o aparelho psíquico. O processo primário: modo
primitivo em que a mente está apenas interessada em satisfazer seu próprio
prazer, até porque ainda não consegue reconhecer a existência do outro. É o
único processo disponível para um bebê, mas que vai nos acompanhar, ele será
necessário, pois utilizaremo-lo para nossa autopreservação. A responsabilização
está ligada a um aparelho psíquico que na maior parte do tempo encontra-se no
processo secundário, este, regido pelo princípio da realidade. Em “Primeiros Passos Rumo à Psicanálise” Renato Dias Martino explica:
“Se no processo primário a lei partia do
afastamento do desconforto independente da realidade, agora no processo
secundário, o referencial é justamente a realidade .” (Martino, 2012)
Para que a responsabilização ocorra é necessário que se
tenha uma real percepção de si e do mundo. Diferentemente do processo primário,
onde ainda não consegue ou não tem a chance de desprender-se da satisfação de
seu prazer, ficando preso ao narcisismo.
Portanto, providos de um bom funcionamento mental nos
encorajamos a responsabilizar-se pelo nosso desempenho em cada vértice da vida
sem se culpar, mas com capacidade de reparação. Interagimos pelo que somos, e
utilizamos do ser para a auto-realização.
“A responsabilização, diferente da culpa, é um
movimento do ego fortalecido, Um ego forte qualifica o ”sujeito desejante”,
aquele que escolhe e expande em direção ao mundo, em nome da realização.” (Martino
em Para Além da Clínica, 2011)
Realizar-se é a parte última de um processo que contou com
as possibilidades de expansão de pensamento e responsabilização. É a
concretização de um sujeito que está guiado para além de seus seis sentidos,
pois ele é capaz de agir pela sua intuição.
Psicoterapeuta
e escritora
Autora do
livro A Depressão e o Pensar: Sob a Perspectiva Psicanalítica
Contato - 17 99101 7531 - thais.1929@hotmail.com