Ensinam desde cedo que é preciso vencer na vida, que
não se deve ter medo do caminho a seguir. Mas torna-se árdua essa tarefa,
quando não se nasce num berço suficientemente bom, com as condições necessárias
para correr riscos sem medo de voltar para o porto seguro.
Para que se possa vencer adequadamente, sem muita
dificuldade, é preciso sim que o sujeito tenha o mínimo de ambiente
suficientemente bom – para que seja possível sustentar a descoberta de si mesmo
enquanto evoluí fisicamente e psiquicamente.
Modelos de superação, só servem para saber o quanto
um ser humano pode chegar. Não que tais modelos devam ser seguidos. Na
travessia de um lado ao outro da ponte, o que importa não é chegar ao objetivo,
mas o gozo que se sente em ser enquanto atravessa a passagem até a chegada do
que se almeja.
A cobrança do ambiente familiar, manipulado pela
sociedade, destrói a habilidade da criança que está se desenvolvendo e nutre
apenas o desespero por ser aceita por aquilo que não é e ofusca e reprime o
potencial que existe em cada sujeito.
A criança que está em desenvolvimento por querer ser
amada fica ainda mais vulnerável, acaba por se transformar no que os pais desejam,
tornando-se adultos frágeis e melancólicos, sem prazer em sua existência.
Vencer e o medo sempre caminharam juntos, o medo é
medidor para o sujeito em suas escolhas. Sentir medo é normal, sendo esse
sentimento colaborador para o desenvolvimento do ser do indivíduo. Quando o
sujeito é impedido de sentir medo, a capacidade de questionamento é deixada de
lado, sendo levado pela vida a caminhos que não faz sentido a sua existência,
impedindo o desenvolvimento do ser e suas ramificações.
Ser forte e vencedor, não significa que se é bem
sucedido. O sujeito bem sucedido é aquele que pode sentir e a partir do seu
sentir, pode pensar e questionar se o caminho de suas experiências que está
seguindo é enriquecedor a sua vida.
Portanto, o ambiente familiar necessita ser
suficientemente bom, para que a criança possa experimentar, testar e escolher o
que fazer com o que surgem em seu dia a dia. A criança não deve ser forçada a
fazer algo que não quer. O máximo que a figura familiar pode fazer é expor
ideias, provocações filosóficas com o brincar da criança, estimular a partir do
mundo dela – criança.
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Wilfred R.Bion (1897 - 1979) |
Wilfred R.Bion (1979) faz a reflexão de que o analista precisa ser em analise sem desejo e sem memória com o seu analisando. Faço aqui, a releitura e penso que os pais precisam ser com as crianças sem desejo e sem memória, para que as crianças possam ser por elas mesmas, descobrindo a partir dos modelos dos pais.
São os modelos dos pais, que serão alicerce para que
o sujeito possa lidar com suas frustrações, medos e conquistas, e então ir se tornando
um vencedor.
Bion. W.
1858/1979 COGITAÇÕEs. Ed. Imago. RJ, 2000. 1979
________UMA
MEMÓRIA DO FUTURO III. A aurora do esquecimento. Imago, RJ, 1996.
Maicon José de Jesus Vijarva
Escritor e Psicoterapeuta
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